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Além do Preto: Desvendando os Mitos por Trás das Roupas e dos Preconceitos

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Além do Preto: Desvendando os Mitos por Trás das Roupas e dos Preconceitos



Rosa Cigana - comerciante                        Janaina - Biomédica
  
A questão da cor negra e seus significados nas vestimentas e na sociedade contemporânea levanta uma série de reflexões sobre preconceitos, estereótipos e a complexidade da percepção humana. Enquanto a cor negra é frequentemente associada a elementos como rebeldia, mistério e até mesmo perigo, sua interpretação vai além de uma mera escolha estilística. Este ensaio explora a intersecção entre cultura, ciência, religião e preconceito, destacando como a cor das roupas pode ser interpretada de maneiras diversas e muitas vezes contraditórias. A partir de um exame detalhado da colorimetria e das representações culturais dos motociclistas, revela-se um panorama complexo, onde a cor negra desempenha um papel central na construção de identidades individuais e coletivas. Ao mesmo tempo, examina-se como as leis e os princípios religiosos convergem na promoção da igualdade e da não discriminação, destacando a importância de enfrentar ativamente os preconceitos arraigados em nossa sociedade. Neste contexto, é fundamental compreender não apenas a cor das roupas, mas também os traumas e medos subjacentes que alimentam o preconceito, visando construir um futuro mais inclusivo e acolhedor para todos.
 
 
A Crença
Na cultura ocidental, a cor negra está associada ora a um sentimento de fascínio exótico, ora a uma sensação de medo ou horror.
Muitos acreditam que o preto é de roqueiros, satanistas, bruxos, selvagens, exóticos, demoníacos.
O imaginário europeu, durante toda a Idade Média até os séculos das Luzes, descreveu a existência de seres estranhos, monstruosos de hábitos noturnos, pois o negro da noite era seu domínio, era um mundo demoníaco com um diabo quase sempre pintado de preto já que, entre os medievais, Satã é chamado de Cavaleiro Negro e de Grande Negro.

O negro poderia ser repugnante: "São Bento de Palermo, por exemplo, suplicou a Deus que o fizesse hediondo a fim de não sucumbir às mulheres. Deus o entendeu e o transformou em negro, foi desta forma que ele se tornou São Bento, o mouro" (Cohen, 1980:39).
E ser negro poderia ser sedutor: "João Cassiano, monge do século V e autor de um dos manuscritos mais antigos e mais lidos sobre os Padres da Igreja, descreve como sujeito à tentação, um eremita atormentado pelo diabo disfarçado em uma 'mulher negra, impudica e lasciva. Seja na forma humana ou na forma animal, Satã é frequentemente negro, ou escuro, como convinha ao Príncipe das Trevas"
Os roqueiros sempre foram vistos como pessoas rebeldes e demoníacos, talvez por isso identificaram a cor negra como uma forma de expressar seu protesto contra a sociedade que muitas vezes é preconceituosa, hipócrita e irracional.

Mistério das Cores
A colorimetria, ciência que investiga as cores, revela um fenômeno intrigante: a cor não é uma realidade objetiva, mas uma construção da mente humana, fundamentada na luz.  
Mesmo organismos tão simples quanto as medusas são capazes de detectá-la, evidenciando a complexidade dessa percepção. As cores são interpretações cerebrais moldadas por nossas experiências anteriores, o que explica as ilusões ópticas que desafiam nossa compreensão da realidade. O preto, por sua vez, simboliza a ausência total de claridade e possui uma característica única: a capacidade de absorver energia, ao contrário das outras cores, que a refletem. Essa compreensão nos leva a questionar a relação entre luz, mente e percepção, despertando um profundo fascínio e incitando a busca por respostas no intricado mundo das cores.

A Profundidade da Percepção
Além disso, a colorimetria nos ensina que a percepção das cores vai além de uma simples visualização sensorial. Nossa mente é capaz de atribuir significados e emoções às diferentes tonalidades, influenciando nossas reações e comportamentos. A associação cultural e histórica de certas cores com sentimentos específicos mostra como a interpretação das cores é tão complexa quanto sua própria natureza. Assim, ao compreendermos a ciência por trás das cores, adentramos em um universo de múltiplas camadas, onde luz, mente e cultura se entrelaçam em uma dança fascinante de percepções e significados.


O Significado Profundo do Traje negro para os Motociclistas

Para os amantes das estradas sobre duas rodas, a escolha do traje vai além de uma simples preferência estética. Remonta aos primórdios das jornadas motociclísticas, quando os motociclistas eram verdadeiros nômades, vagando solitários ou em grupos, alimentando-se do que encontravam à beira das estradas. As condições adversas e o desconforto das motos da época exigiam roupas resistentes e práticas, e o couro preto se tornou a opção ideal. Mais do que uma questão de estilo, era uma escolha pragmática: o couro oferecia proteção contra a sujeira, pedras voando das rodas e até mesmo contra quedas.

Com o tempo, essa preferência pelo preto não apenas persistiu, mas se fortaleceu. A cor passou a simbolizar não apenas a resistência física dos motociclistas, mas também sua identidade e senso de comunidade. A associação entre motociclistas, roqueiros e a cor preto tornou-se tão arraigada que é praticamente impossível dissociá-las. Os cinemas, em suas representações, reforçam essa imagem, muitas vezes retratando motociclistas como personagens vestidos de preto, o que contribui para solidificar estereótipos e preconceitos.

No entanto, é importante destacar que essa associação também tem seu lado sombrio. O cinema e a mídia em geral contribuíram para estigmatizar os motociclistas, retratando-os frequentemente como indivíduos marginais, viciados e criminosos. A imagem do motociclista como o "mocinho" é rara, enquanto o estereótipo do motociclista como vilão é lamentavelmente comum.

Apesar dos estigmas e preconceitos, os motociclistas mantêm sua irmandade, muitas vezes encontrando refúgio em motoclubes que adotam o preto como uniforme oficial. Esses motoclubes, muitas vezes vistos como extremistas, reforçam a camaradagem entre os membros e perpetuam uma tradição que remonta aos primórdios das jornadas motociclísticas.

Estereótipos dos Motociclistas
Os motociclistas enfrentam frequentemente o peso injusto dos estereótipos, sendo rotulados como arruaceiros, viciados e até mesmo como elementos perigosos para a sociedade. No entanto, por trás dessas generalizações simplistas, reside uma diversidade incrível de profissionais respeitáveis e trabalhadores dedicados. Entre nossas fileiras, encontramos engenheiros, médicos, policiais, professores, religiosos, juízes, advogados, pedreiros e uma infinidade de outros profissionais, todos unidos por uma paixão comum pela liberdade sobre duas rodas.

A ironia dessas acusações é evidente quando consideramos a vasta gama de pessoas respeitáveis que escolhem o motociclismo como parte de suas vidas. Como podemos julgar alguém pelo estilo de suas roupas ou pelo modelo de sua motocicleta, quando a verdadeira essência de seu caráter é tão multifacetada e complexa?

É crucial questionar os padrões injustos que perpetuam esses estereótipos e refletir sobre as raízes profundas do preconceito que os sustentam. Muitas vezes, o medo do desconhecido e os traumas passados podem desempenhar um papel significativo na perpetuação desses estereótipos injustos. Ao invés de julgar com base em aparências superficiais, devemos nos esforçar para conhecer verdadeiramente as pessoas por quem são, não pelo que parecem ser.

Além disso, é imperativo reconhecer as falhas em nosso próprio sistema social. Enquanto os motociclistas são rotulados como marginais, criminosos e delinquentes, os verdadeiros escândalos muitas vezes passam despercebidos. Nossa sociedade muitas vezes elege políticos que, embora possam estar vestidos com roupas elegantes e ternos impecáveis, revelam uma falta gritante de caráter e integridade. Como podemos explicar essa desconexão entre a imagem pública e a verdadeira essência das pessoas?

Em última análise, devemos desafiar esses estereótipos arraigados e buscar compreender a humanidade por trás das aparências. Somente quando abandonarmos o preconceito e abraçarmos a diversidade é que poderemos verdadeiramente progredir como sociedade.

Um Compromisso Legal e Religioso
É inegável que a legislação brasileira estabelece um claro compromisso com a igualdade e a não discriminação. A Constituição Federal, como a lei máxima do país, proclama que todos os cidadãos são iguais perante a lei, sem distinção de origem, raça, sexo, cor ou idade. Essa garantia de igualdade é fundamental para a construção de uma sociedade justa e solidária, conforme estabelecido no Artigo 3º da Constituição.
Além disso, a legislação brasileira também prevê punições rigorosas para casos de preconceito e discriminação. A Lei n° 7716/89 estabelece que qualquer tipo de preconceito é considerado crime, sujeito a prisão de 1 a 3 anos, além de multa e indenização por danos morais. Essa medida visa coibir atos discriminatórios e garantir a proteção dos direitos de todos os cidadãos, independentemente de sua origem ou características pessoais.

No âmbito religioso, também encontramos princípios que reforçam a importância da igualdade e da não discriminação. Passagens como as encontradas nas epístolas de Paulo, como em I Coríntios 14, 20, 1 Timóteo 4, 7 e Colossenses 2, 8, destacam a necessidade de evitar julgamentos precipitados e de basear-se em princípios de amor e compaixão ao invés de preconceitos e estereótipos.

No entanto, apesar das garantias legais e dos princípios religiosos, o preconceito ainda persiste em nossa sociedade, muitas vezes enraizado em traumas e medos irracionais. Esses preconceitos podem ser alimentados por uma série de fatores, incluindo experiências pessoais passadas, influências culturais e até mesmo desinformação.

É evidente que tanto a legislação quanto os ensinamentos religiosos convergem no sentido de promover a igualdade, a justiça e o respeito mútuo.
Portanto, é essencial não apenas reafirmar nosso compromisso com a igualdade e a não discriminação, mas também enfrentar ativamente os preconceitos e estereótipos que continuam a dividir nossa sociedade. Devemos reconhecer e enfrentar os traumas e medos subjacentes que alimentam o preconceito. Somente assim poderemos construir um futuro onde a diversidade seja verdadeiramente celebrada e respeitada em todas as suas formas. É através da educação, do diálogo e do respeito mútuo podemos verdadeiramente superar essas barreiras e construir um mundo mais inclusivo e acolhedor para todos.

TAMUJUNTU
Antonio Beiradagua




Rosa Cigana - Comerciante



Janaina - Biomédica
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